O dia 30 de abril foi marcado por uma intensa movimentação no coração administrativo do campus da UFV. O motivo foi o ato promovido pelo Comando Local de Greve da Asav em comemoração ao Dia do Trabalhador e também como mais uma das ações da greve atual.
Ainda que fosse a véspera do feriado nacional, a data foi escolhida para aproveitar a presença de técnicos administrativos, docentes, estudantes e funcionários terceirizados no campus. Coincidentemente, foi também o primeiro dia do retorno às atividades laborais conforme determinação de decisão liminar recebida pela Asav e pela UFV dois dias antes.
A tenda montada pela Asav no gramado em frente ao Centro de Vivência foi o palco de muitas falas contundentes. Houve relatos de histórias de lutas da categoria que aconteceram antes mesmo da existência dos direitos e da estabilidade da qual ela usufrui hoje. Também houve manifestação de preocupações com a apatia generalizada dos servidores e chamados para a luta.
O ato começou devagar e com poucas pessoas mas, aos poucos, mais colegas vieram. De repente, um grupo crescente e coeso acompanhava, atentamente, a cada falação. Mesmo com o dia esquentando e o sol contornando a copa das árvores do estacionamento do Prédio Principal, as pessoas não arredaram o pé. Bom… talvez para procurar um pouco mais de sombra.
O movimento pôde contar, também, com a presença da Aspuv, representada pelos professores Cézar De Mari e Edilton Barcelos, que inclusive fez uma breve fala ao microfone. Ambos manifestaram seu apoio à luta dos técnicos.
Falas, relatos, desabafos e chamados para a luta
Próximo do meio-dia, o movimento de estudantes pelo local se intensificou, já que ali é passagem para o restaurante do Espaço Multiuso. Nesse momento, acontecia uma roda de conversa puxada pelos discentes Otávio, Bibi e Amanda, e houveram falas muito contundentes sobre o relacionamento da Asav com o DCE ao longo do tempo, além de chamados voltados aos estudantes para que estejam mais atentos à política das coisas. A esta altura, alguns dos estudantes que estavam de passagem pararam para ouvir algumas falas.
Panfletagem e marcha
Às 13h30, os membros do CLG Mahyhaly, Evaristo e Charrão deram outra entrevista na rádio 95FM, programa do Paulinho Brasília; a íntegra, de cerca de meia hora, pode ser ouvida aqui.
Enquanto alguns técnicos almoçavam, outros aproveitaram o movimento intenso nos arredores para distribuir panfletos – cerca de 1.600 foram distribuídos – e conversar brevemente com os estudantes. Muitos se mostraram receptivos e acolhedores à aproximação e à luta dos técnicos, ouvindo-os com atenção.
Na parte da tarde, os assuntos foram RSC e 30 horas, conduzidos por Renata e Paulo, do Gevi30. Muitas dúvidas foram esclarecidas sobre ambos, inclusive no âmbito da regulamentação que está sendo feita pelo MGI.
Ao longo deste momento, a professora Júnia Marise, do curso de Serviço Social, chegou com os alunos da disciplina “Sociedade, Classe e Movimentos Sociais”, os quais ela já havia levado para assistir a uma assembleia do Comando de Greve. Atentos, eles observaram o movimento, a montagem do ato e a organização das falas.
Por volta das 15h30, todos os participantes foram chamados para compor a marcha que desceria até as 4 Pilastras, inclusive os estudantes. Dezenas de pessoas carregaram faixas e cartazes logo atrás da já conhecida kombi da Asav, onde vinham acontecendo falações ao microfone. Instrumentos de percussão do sindicato também foram usados, dando o ritmo à marcha.
O evento terminou ao pé das pilastras “Agir” e “Vencer”, com falações finais de membros do Comando de Greve. E enquanto o encerramento acontecia, grata surpresa! Dona Cristina, técnica aposentada e guerreira respeitadíssima na Asav e fora dela, apareceu fazendo uma caminhada acompanhada do filho. Participante contumaz de assembleias locais, caravanas e movimentos grevistas, foi muito aplaudida pelo público presente, em reconhecimento ao legado deixado por ela na história do sindicato. Engajada, ela lutou ativamente por muitos dos direitos dos quais os servidores técnicos usufruem hoje.
Importante frisar que todo o ato foi acompanhado com atenção e respeito pelos vigilantes da Diretoria de Segurança Patrimonial e Comunitária (DLS), em especial durante a caminhada em direção às 4 Pilastras, momento no qual o trânsito da via sentido centro ia sendo parcialmente interrompido e depois liberado à medida em que a marcha passava.
O ato contou com muito menos pessoas do que o esperado, sobretudo levando em consideração o número que compareceu à assembleia do dia anterior. Contudo, é inegável que foi um público qualificado, engajado e preocupado com o futuro próximo reservado à categoria caso ela continue com os braços cruzados enquanto seus direitos conquistados são solapados.
Para acessar as fotos do ato, clique aqui.
Fotos de: Arthur Figueira e Beatriz Ansani.
(foto com audiodescrição)