
A Comissão Permanente de Valorização dos Servidores Técnico-Administrativos em Educação da UFV (CP Valoriza) nasceu na vigência da greve de 2026, ano de forte percepção do quão desvalorizado e invisibilizado é o trabalho desta categoria de servidores públicos federais em Educação, tanto em nível nacional quanto local.
A iniciativa também foi proposta e aprovada no âmbito da Fasubra em uma de suas plenárias de greve, a pedido do Comando Local de Greve da Asav Sindicato, para que a Federação também atue na valorização do trabalho dos Servidores Técnico-Administrativos em nível nacional.
Desvalorização nacional
A greve de 2026 iniciou-se após quase dois anos do fim da greve de 2024, e foi motivada pela displicência do Governo Federal no cumprimento do acordo assinado ao fim do movimento paredista aquele ano. É importante frisar que, ao mesmo tempo em que os TAEs compõem numericamente a maior categoria de servidores públicos, são também os mais mal-remunerados dentre todas elas. Ainda assim, pautas e acordos assinados com eles ficam sempre em segundo plano, ou são indefinidamente postergados, enquanto aqueles assinados com outras categorias são sumariamente cumpridos de acordo com os prazos pactuados.
Some-se a isso a extinção de cargos – ou vedação de provimento – após aposentadoria ou falecimento de servidores dos níveis A, B e C e o impedimento de realização de novos concursos para inúmeros cargos de técnicos administrativos. Não bastasse, há ainda a sequência de anos e anos de cortes e contingenciamentos no orçamento destinados às universidades federais, resultando em:
- redução dramática nas verbas destinadas às capacitações dos técnicos administrativos;
- a escassez de recursos para aquisição de insumos básicos e material permanente (como computadores e impressoras);
- e outros.
A dificuldade para realização de novos concursos para contratação de servidores técnicos castiga aqueles que ainda estão na ativa:
- inevitáveis desvios de função (quando um servidor passa a realizar tarefas que não são próprias do nível para o qual prestou concurso); e
- sobrecarga de funções, por se verem obrigados a absorver as tarefas dos aposentados/falecidos a fim de garantir que o setor continue adequadamente operacional.
Desvalorização local
Técnicos administrativos são frequentemente tratados como meras moedas de troca mas, estranhamente, ao deflagarem uma greve, passam a ser chamados de “essenciais”. Já reparou nisso?
A Universidade Federal de Viçosa completa seu primeiro centenário precisamente em 2026 e, por este motivo, as ações da administração superior se tornaram muito visíveis. Docentes e alunos são presença constante nos discursos e nas divulgações em geral, mas a ausência dos técnicos administrativos não provoca constrangimento entre os citados – apenas entre os próprios técnicos.
Esta ausência já era notada em tempos passados mas, no ano do centenário, com enaltecimentos e homenagens a perder de vista a apenas dois personagens desta longa história, o incômodo se tornou intolerável. Quando são citados, ocupam apenas umas poucas linhas, e de maneira demagógica, “só pra constar e ninguém reclamar”. E com um quadro de técnicos cada vez mais especializado, essa estratégia, além de não funcionar mais, ainda piora a situação.
Obs.1: Uma das comemorações do centenário da UFV é um baile, cujo ingresso custará R$400,00 por cadeira (ou R$350,00 sem cadeira). Quantos técnicos estarão presentes?
Obs.:2: Nas cerimônias de colação de grau, os técnicos homenageados ficam em cadeiras fora do palco e distantes dele, separados da plateia por um gradil.
Pela valorização PERMANENTE dos técnicos administrativos da UFV
Por tudo isso, foi proposta e aprovada em assembleia a criação da CP Valoriza ainda na vigência da greve de 2026. É uma comissão interna da ASAV Sindicato para tratar, exclusivamente, da valorização desta categoria, visando curá-la da massiva invisibilização que ela sofre diuturnamente por parte de colegas de serviço público, discentes e também pela própria sociedade, acostumada ao discurso fácil, mentiroso e enraizado de que “servidor é vagabundo”.
Mas, mais importante do que fazer a sociedade e as demais categorias do serviço público mudar sua forma de enxergar os TAEs, é fazer com que os próprios TAEs se enxerguem uns aos outros, valorizem o trabalho que realizam e compreendam sua importância para a UFV e para a população.
Será um trabalho longo, cuidadoso, insistente e cansativo – mas indispensável.
As ações da CP Valoriza serão divulgadas à medida em que ocorrerem, tanto no site quanto pelas redes sociais da Asav e nos grupos internos. Fique ligada(o)!
(imagem com audiodescrição)