É com grande consternação que a Asav comunica o falecimento do grande companheiro, Saulo Penteado, ocorrido na noite de ontem.
Saulo era natural da cidade do Rio de Janeiro e foi servidor da UFV de 1980 a 1991, onde atuava como técnico de refrigeração na antiga Prefeitura do Campus.
Sócio-fundador da Asav e nascido sob a estrela da militância. Era presença constante nos movimentos do sindicato, atos, assembleias e greves, chegando mesmo a ser representante da Fasubra, a federação nacional à qual a Asav é filiada. Onde quer que fosse, levava sempre uma pasta repleta de papeis e cópias de documentos (alguns de redação própria) sobre momentos de greves passadas, lutas políticas, atos que julgava incoerentes com a classe trabalhadora, e cobrava que as pessoas lessem – não porque fosse autoritário, mas porque sua vontade de informá-las era genuína, e sabia que elas precisavam de bases sólidas para tecerem suas próprias conclusões.
Sempre teve olhar crítico sobre a formas de militar e era adepto das estratégias mais incisivas; fazia comentários perspicazes nas assembleias das quais participava, mesmo percebendo que seria voto vencido – e sem medo de possíveis vaias. Sempre se manteve fiel aos seus ideais e justo em seus julgamentos. E ainda que fosse uma pessoa severa e quase sempre de cara fechada, era capaz de incríveis gentilezas e de um acolhimento que se traduzia em abraços calorosos. Ou em frutas que colhia no pomar de casa e generosamente trazia para a Asav, ou para reuniões fora de sede.
Era grande conhecedor de ervas medicinais, com as quais inclusive se tratava, mesmo frente a problemas mais graves de saúde. Cultivava um grande número delas em sua casa, e transmitia seus conhecimentos no grupo Entrefolhas.
Faleceu em casa, em paz, sem intervenções médicas, do jeito que queria que fosse.
Saulo deixa os filhos do primeiro casamento, a viúva e um grande séquito de admiradores, amigos e companheiros de luta, a quem ele irritou muitas vezes – e ensinou muitas mais.
(imagem com audiodescrição)
