Maternidade, trabalho e saúde mental mobilizam roda de conversa com participação de servidoras da UFV – Campus Viçosa

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A manhã da sexta-feira de 29 de maio de 2026 foi marcada por escuta, acolhimento e reflexões profundas durante a roda de conversa “Maternidade, Trabalho e Saúde Mental: diálogos necessários”, promovida pelo Grupo Permanente de Enfrentamento às Violências no Trabalho e ao Adoecimento Mental (GT-Enfrentamento), vinculado à ASAV Sindicato. A atividade reuniu 24 mulheres em um espaço coletivo de partilha sobre os impactos da maternidade na vida profissional, emocional e social das trabalhadoras.

Realizado em alusão ao Maio Furta-Cor — movimento nacional de conscientização sobre saúde mental materna — o encontro trouxe à tona questões historicamente invisibilizadas no mundo do trabalho, como a sobrecarga física e emocional enfrentada pelas mães trabalhadoras, a dupla jornada e a ausência de redes efetivas de apoio.

O espaço foi moderado por Raíssa Mourão, especialista em Psicologia Perinatal e Saúde Mental da Mulher, além de integrante do grupo “Sementes do Feminino”. A condução da atividade favoreceu um ambiente de escuta ativa e fortalecimento coletivo entre as participantes.

A programação contou com momentos de acolhimento, conversa guiada, dinâmicas de integração e atividades voltadas ao alívio emocional e corporal das tensões acumuladas no cotidiano. Em diversos relatos, participantes compartilharam experiências relacionadas ao cansaço extremo, culpa materna, pressão social e dificuldades de conciliar trabalho, cuidado e autocuidado.

Um dos pontos centrais do debate foi a crítica ao modelo patriarcal que ainda estrutura as relações familiares e de trabalho. Durante a roda de conversa, destacou-se que o debate sobre saúde mental materna não pode se limitar apenas à discussão sobre a sobrecarga das mulheres.

“Além da necessidade de discutir a sobrecarga da mãe trabalhadora, faz-se necessário discutir o papel da paternidade precária no modelo patriarcal que se impõe”, destacou uma das reflexões compartilhadas no encontro.

A fala provocou forte identificação entre as participantes ao evidenciar que a responsabilização quase exclusiva das mulheres pelo cuidado doméstico e familiar não é um problema individual, mas estrutural. O debate ressaltou que a romantização da maternidade frequentemente invisibiliza o adoecimento mental das mulheres e naturaliza a ausência ou insuficiência da co-responsabilidade paterna na criação dos filhos.

Também foram discutidos os impactos dessas desigualdades nos ambientes laborais, especialmente para mulheres trabalhadoras do serviço público, que muitas vezes enfrentam jornadas intensas, cobranças institucionais e dificuldades de acesso a políticas efetivas de acolhimento e cuidado.

Para o GT-Enfrentamento, iniciativas como essa fortalecem a construção de redes de apoio e ampliam o debate sobre saúde mental, relações de trabalho e violências estruturais. A atividade reafirmou a importância de criar espaços seguros de escuta coletiva dentro das instituições, contribuindo para romper silêncios históricos que cercam a maternidade e o adoecimento psíquico das mulheres.

Mais do que uma roda de conversa, o encontro se consolidou como um momento político de reconhecimento, solidariedade e resistência coletiva.

Várias mulheres de diferentes idades e etnias, todas de pé, lado a lado, olhando para nós e sorrindo. A primeira da esquerda carrega uma menininha no colo, com vestidinho azul claro. Elas estão em uma grande sala de paredes brancas e piso de tacos de madeira.
Organizadoras e participantes.

 

Organizadoras do evento:
As 6 organizadoras do evento, de diferentes etnias, de pé lado a lado e olhando para nós. Elas seguram um cartaz do evento, de fundo lilás.

 

Raíssa Mourão: mulher jovem, pele clara, cabelos pretos cacheados na altura dos ombros. Ela usa blusa branca de manga longa por baixo de um colete colorido, e está sentada olhando para a direita. Ela sorri.
Raíssa Mourão, moderadora da roda de conversa.

(fotos com audiodescrição) 

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