Representantes do Comando Local de Greve (CLG) da Asav estiveram reunidos com o pró-reitor de Gestão de Pessoas da UFV, Luiz Antonio Abrantes, na manhã desta sexta-feira, dia 08 de maio. O objetivo da reunião era conversar sobre a determinação dada pela decisão liminar nº 6003062-06.2026.4.06.3823/MG, a qual orienta a UFV a cortar o ponto de todos os servidores técnico-administrativos da UFV que aderiram à greve, desde seu início até a data do recebimento da liminar,sem prejuízo de acordo entre as partes
Na oportunidade, o CLG entregou ao pro-reitor a proposta apresentada e aprovada em assembleia no dia anterior, com as diretrizes para a negociação do termo de acordo
Ficou claro para todos os presentes que a liminar coloca em risco não apenas o direito dos servidores técnico-administrativos em aderir a uma greve mas, também, os próprios docentes em futuros movimentos paredistas da categoria. A base dos técnicos da UFV precisaram adaptar a participação na greve para obedecer aos limites impostos pela liminar, mas não é uma situação que se possa deixar sem resposta.
O que está ao alcance da UFV neste momento em relação à liminar
De acordo com Abrantes, a UFV ainda não recebeu uma ordem executiva com instruções sob os referidos cortes; eles podem ser feitos de uma vez só (descontando integralmente os valores referidos aos dias não trabalhados) ou em porcentagens/mês até que todo o valor seja descontado. Até que esta ordem chegue, a instituição não tem como atuar pelas vias judicais – CONTUDO, deixou claro que não há intenção por parte da Administração Superior em realizar estes cortes.
Havia uma preocupação em relação ao fechamento da folha de pagamento, que ocorrerá no dia 15 e que motivou a pressa no agendamento da reunião. Sobre isso, ele garantiu que, se a ordem não chegar até lá, o pagamento que cairá no início do mês de junho ocorrerá normalmente, que a categoria pode ficar tranquila, e que só haverá corte de ponto para os servidores que não retornaram ao trabalho conforme a orientação. Este corte será referente apenas aos dias paralisados após a data da liminar, resguardado o período anterior, que vai estar coberto pelo acordo a ser firmado com a categoria.
Horas paralisadas x Serviços represados
Sobre a reposição quando a greve terminar, os representantes da Asav manifestaram preocupação, sobretudo após a liminar, de que os técnicos grevistas fossem obrigados a repor as horas paralisadas. Os motivos são muitos, mas os principais são a dificuldade que isso imporia sobre aqueles que residem em outras cidades, pessoas com filhos e sem rede de apoio disponível para ficar mais tempo ainda com as crianças e também o tempo necessário até que todas as horas fossem compensadas: de acordo com cálculos, os técnicos trabalhariam 10 horas/dia até fevereiro de 2027, mesmo que não tivessem nenhuma demanda a encaminhar. Assim, foi consenso que seria mais justo e produtivo a reposição por atividades represadas, o que, em alguns casos demandará horas além da jornada.
A pro-reitoria se mostrou favorável à reposição das atividades represadas, a exemplo do acordado nas greves anteriores. Nos casos em que houver necessidade comprovada, por parte das chefias, de que os técnicos trabalhem em finais de semana, ele se prontificou a receber as partes para conversar e negociar a melhor solução para todos. Entretanto, alertou que isso também depende da ordem executiva.
Liberação para atividades sindicais
Na oportunidade, os participantes conversaram também sobre a liberação de técnicos para representarem a base de Viçosa como delegados do CLG no Comando Nacional de Greve (CNG), em Brasília, especialmente agora que o retorno às atividades laborais foi orientada. Ficou decidido que a Asav deverá encaminhar comunicado à PGP para informar os nomes dos técnicos e o período de permanência, e a PGP encaminhará às respectivas chefias um comunicado oficial, liberando-os para a tarefa.
Durante as conversas sobre perseguições a técnicos, Abrantes falou sobre servidores que se ausentam do local de trabalho sob justificativa de que estão indo à assembleia convocada pela Asav, mas que teriam sido vistos em outros locais durante a mesma (aproveitando a justificativa real para fazer outras coisas). Houve unanimidade sobre o caráter persecutório de se enviar as listas de presença para a PGP sempre que houvesse assembleias e atos da Asav, mesmo sem denúncia formalizada, mesmo porque pode acontecer de uma pessoa não assinar a lista mesmo estando presente. No entanto, os membros da Asav disseram que, caso haja uma denúncia formal de ocorrências desse tipo, a lista de presença e os registros podem ser solicitados ao sindicato, para confirmação da presença/ausência do técnico denunciado.
Andamento do recurso da Asav
Os advogados da Asav entraram com recurso (neste caso, “Agravo de Instrumento”) na sexta-feira mas, até o momento, a Justiça não deu prosseguimento. De acordo com Marcelo, da Procuradoria Jurídica, a liminar realmente traz várias incoerências, manifestando o mesmo estranhamento que a categoria e os advogados da Asav tiveram ao conhecer o teor do documento.
Ainda, ele confirma que a parecer executivo mencionada por Abrantes ainda está na AGU, e que já fizeram contato solicitando mais celeridade no encaminhamento da mesma a fim de que a instituição possa tomar as providências necessárias pelas vias judiciais.
Outros assuntos
Houve consenso de que informações se perderam entre a Asav e a PGP e que o contato entre as duas instituições deveria ter sido mais próximo. Por isso, ficou acordado que as questões críticas referentes aos movimentos paredistas deverão ser discutidos, com calma, antes que eles sejam deflagrados.
Sobre o ofício entregue com as diretrizes vindas da assembleia, Abrantes se prontificou a elaborar um Termo de Ajuste firmando o acordo entre a PGP e o Comando de Greve, independentemente da ordem executória. A proposta foi endossada por Marcelo.
Na oportunidade, foi pré-agendada para sexta-feira, dia 15, uma reunião para tratar exclusivamente sobre as Pautas Internas da categoria.
O balanço da reunião foi muito positivo, e deixou portas abertas para futuras conversas e negociações, não apenas sobre aspectos relativos à greve mas, também, assuntos importantes relativos ao dia a dia dos TAEs da UFV.
Abaixo, algumas fotos do momento após a reunião, com a proposta assinada, e quando os representantes do CLG se juntaram com os técnicos que mantiveram vigília na entrada do Centro de Vivência, para dar as primeiras informações.
(fotos com audiodescrição)

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