Na manhã do mesmo dia em que dezenas de servidores se manifestaram durante a visita do ministro da Educação Camillo Santana ao campus sede da UFV, uma comitiva do Comando Local de Greve (CLG) da ASAV Sindicato pegou a estrada. A comitiva, composta por Antônio Policarpo, Beatriz Ansani, Evaristo Rosa e João Balbino, tinha como objetivo realizar assembleias de greve nos campi de Rio Paranaíba e de Florestal, respectivamente nos dias 17 e 18.
Foram realizadas visitas aos diferentes setores dos campi, com panfletagem direta (entrega em mãos) e indireta (fixação de panfletos em quadros de aviso e distribuição de sala em sala). Em Rio Paranaíba, a comitiva encontrou a maioria das portas fechadas, várias delas com os cartazes de greve desenvolvidos pela Comissão de Comunicação do CLG. Nestas, os panfletos foram passados por debaixo das portas ou fixados junto dos cartazes. Já em Florestal, a agenda da manhã se restringiu a conversas de alinhamento com a secretaria da sede do sindicato, mas após a assembleia, conversas rápidas com alguns dos participantes foram momentos importantíssimos para tomar conhecimento da conjuntura local.
“Gente que faz” ou “gente que faça”?
Além de realizar assembleias presenciais nos campi, os membros da comitiva também conversaram com os (poucos) servidores técnico-administrativos (TAEs) que encontraram nos locais visitados. Nestas ocasiões, além do esclarecimento de dúvidas, obteve-se informações importantes e preocupantes sobre ocorrências de assédios, sobrecarga de tarefas (inclusive de terceirizados), acúmulo de funções e pressão de chefias para inibir a adesão à greve (declarando verbalmente, por exemplo, que grevistas são vagabundos), relatos que se assemelham muito aos ouvidos no campus sede.
A comitiva tomou conhecimento de que o encerramento do curso de Tecnologia de Alimentos em Rio Paranaíba se deu sem que os técnicos administrativos fossem participados anteriormente da situação: foram pegos de surpresa com um comunicado de que o curso não existia mais. Tal relato corrobora com a sensação crescente entre os TAEs, em todos os campi, de que a categoria não é considerada importante, que é invisível, e que o desmazelo no tratamento das esferas da administração superior com ela já é algo normalizado.
Terceirizados, cada vez mais, na corda bamba
Durante as visitas, a comitiva recebeu relatos breves, mas contundentes, sobre a situação precária dos terceirizados, sobretudo aqueles alocados nos serviços de limpeza.
Em um dos prédios visitados, havia uma única faxineira para limpar os corredores, as salas e os banheiros de mais de um andar. Ao buscar informações sobre a inexistência de outros funcionários para a limpeza, se o problema era falta de pessoal contratado ou falta de dinheiro, a resposta obtida foi: os responsáveis acreditam que já há funcionários o suficiente para a função. Naquele prédio, uma única pessoa.
Há uma alta rotatividade de funcionárias e funcionários terceirizados para as funções de limpeza. As vagas foram aumentadas mas os salários oferecidos, segundo relatos, teriam sido reduzidos (para contratar mais pessoas com o mesmo recurso). A “manobra” teria tornado o trabalho pouco atrativo, especialmente se comparado a vagas no setor privado que requerem menos esforço e o salário é semelhante. Ou, como no caso de Rio Paranaíba, onde a época das colheitas atrai grande parte da mão de obra disponível da cidade, com trabalhos braçais de grande intensidade mas de curta duração, e com remuneração muito mais alta do que a oferecida para terceirizados na UFV.
Assembleias de greve
Nas assembleias, os participantes foram atualizados sobre o andamento do cumprimento do Termo de Acordo de Greve (TAG) assinado em 2024 entre a Fasubra e o Governo Federal e estimulados, também, a se filiar à Asav para fortalecer tanto esta quanto as futuras lutas.
Na assembleia de Rio Paranaíba, foi reforçada a convocação para que elegessem, entre eles, ao menos dois ou três servidores filiados para representar formalmente a ASAV Sindicato naquele campus, representação que já demonstrou, mais de uma vez, fazer muita falta para ambas as partes. Após o fim da assembleia, uma rápida conversa entre os membros da comitiva e alguns dos participantes deixou claro que há muito trabalho a ser feito e que a formação dessa representação é urgente.
Já na assembleia realizada em Florestal, houve um convite contundente para que as mulheres e demais servidores da ativa participassem mais ativamente dos movimentos grevistas, sobretudo na direção dos movimentos. É importante que novas cabeças e formas de inteligência passe a compor o sindicato e suas lutas, pois os novos tempos exigem cada vez mais criatividade para vencer as sucessivas tentativas de retirada de direitos da categoria.
A viagem finalmente terminou às 21h40 do dia 18, com a chegada da comitiva a Viçosa. E engana-se quem pensa que a semana já estava encerrada: reunião com o Comando de Greve pela manhã, representações diversas e encaminhamento de demandas à tarde já estavam previstas para os dias 19 e 20 – inclusive a redação desta matéria.
Nas palavras imortais do companheiro Charrão: greve é guerra!
(fotos a seguir com audiodescrição)






