A semana de 12 a 14 de março foi marcada por uma intensa agenda de mobilização do Comando Local de Greve (CLG) dos Técnicos Administrativos em Educação (TAEs) da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Em três dias consecutivos, os servidores em greve ocuparam diferentes espaços da universidade, buscando dar visibilidade às suas pautas em meio a agendas institucionais e visitas de autoridades.

1 – ATO EM EVENTO COM A DEPUTADA DUDA SALABERT

A mobilização teve início com a visita da deputada federal Duda Salabert, que esteve na universidade no contexto das atividades de recepção aos estudantes ingressantes e de um evento voltado à sustentabilidade. A presença da parlamentar, em uma agenda institucional de grande circulação e simbolismo — voltada à formação, ao futuro da universidade e às pautas socioambientais — foi compreendida pelo Comando Local de Greve como um espaço estratégico para dialogar com a comunidade acadêmica e ampliar a visibilidade da greve.

Nesse contexto, os servidores realizaram um ato pacífico e silencioso, portando cartazes que explicitavam as principais reivindicações da categoria, entre elas: a implementação da jornada de 30 horas, o cumprimento do acordo firmado com o governo federal, as demandas relacionadas ao PCCTAE e a racionalização das carreiras. Em um cenário em que a greve não conta com a adesão da categoria docente, a ocupação desses espaços institucionais também tem cumprido o papel de informar e sensibilizar estudantes, trabalhadores e a comunidade viçosense sobre a legitimidade do movimento.

Mesmo em silêncio, a presença dos servidores foi percebida. A deputada interrompeu momentaneamente sua agenda para reconhecer o ato, destacou a legitimidade da greve e respondeu a uma pergunta encaminhada pelo Comando Local. Em sua fala dirigida aos estudantes ingressantes, também abordou os impactos das reformas administrativas sobre o serviço público, situando a mobilização dos técnicos em um contexto mais amplo de disputas em torno dos direitos dos trabalhadores.

2 – REUNIÃO COM O REITOR

No dia 13 de março, às 11 horas, representantes do Comando Local de Greve reuniram-se com o reitor da UFV, Demetrius David da Silva. A reunião, aguardada como um espaço de diálogo, foi marcada por tensões desde o início. Ao longo do encontro, os representantes dos servidores apresentaram as pautas da categoria, destacaram o histórico recente de tentativas de negociação e reforçaram que a greve se dá, sobretudo, pelo não cumprimento integral dos acordos de greve firmados anteriormente com o governo federal.

A condução da reunião evidenciou um cenário de conflito. Em diferentes momentos, foram levantadas críticas ao movimento grevista, com questionamentos sobre sua condução, sua legitimidade e seus impactos sobre a universidade e a comunidade acadêmica. Também foram feitas menções a possíveis responsabilizações sobre os efeitos da paralisação, especialmente em relação a estudantes e serviços considerados sensíveis.

Do lado dos servidores, as falas reforçaram que a greve não é uma escolha simples, mas o resultado de um processo prolongado de desgaste, marcado por perdas acumuladas, sobrecarga de trabalho e ausência de respostas efetivas às pautas da categoria. Foram também relatadas situações do cotidiano institucional que extrapolam o momento da greve, como pressões internas, dificuldades estruturais e a recorrente sensação de desvalorização do trabalho técnico-administrativo.

Enquanto a reunião acontecia no interior da reitoria, servidores em greve se mantinham do lado de fora, em vigília. De forma pacífica, acompanharam o encontro aguardando seu desfecho e, ao mesmo tempo, expressando apoio aos representantes do comando que estavam na mesa de negociação. A presença do lado de fora reforçava que aquela não era uma conversa isolada, mas parte de um movimento coletivo.

Sem encaminhamentos concretos ao final da reunião, o encontro terminou evidenciando mais os limites do diálogo naquele momento do que avanços efetivos nas negociações.

3 – CARAVANA DO “AQUI TEM MEC”, COM O MINISTRO CAMILO SANTANA

No dia 14 de março, a mobilização do CLG ocorreu durante a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, à UFV, no contexto da caravana “Aqui Tem MEC”. A agenda incluía a inauguração do edifício do Departamento de Tecnologia de Alimentos (DTA) e a assinatura do ato de autorização do curso de Medicina no campus de Rio Paranaíba.

Assim como na atividade anterior, a presença dos servidores em greve nesse evento também foi uma escolha estratégica: diante de agendas oficiais de grande visibilidade pública, a mobilização buscou romper o isolamento da greve e tensionar os espaços institucionais, levando as pautas dos técnicos diretamente a autoridades e à opinião pública.

Desde o início da tarde, servidores em greve se concentraram em frente ao local da inauguração. Com cartazes, megafone e uma tenda de hidratação, o grupo permaneceu no local dialogando com quem passava, explicando as pautas da greve e aguardando a chegada do ministro.

A mobilização, no entanto, foi atravessada por falhas de comunicação sobre o local e o horário da atividade. Informações desencontradas indicavam, inicialmente, a realização no Espaço Fernando Sabino, depois transferida para o prédio do DTA, com mudanças também no horário previsto. A incerteza gerou deslocamentos, espera e desgaste entre os participantes.

Em paralelo, três representantes do Comando Local de Greve foram convidados pelo cerimonial para uma reunião com o ministro, em uma sala reservada dentro do prédio. O que se seguiu foi uma longa espera, sem informações claras sobre o andamento da agenda ou confirmação do encontro.

Do lado de fora, os demais servidores permaneceram durante toda a atividade. Com falas ao megafone, cartazes e presença contínua, mantiveram a mobilização mesmo sem interlocução direta com as autoridades presentes. A imprensa que acompanhava a agenda concentrou sua cobertura nas atividades internas.

Quando chegou ao local, já no fim da tarde, o ministro fez um breve gesto em direção aos manifestantes e seguiu diretamente para o interior do prédio, onde ocorreram as atividades oficiais.

Ao final da agenda, os representantes do Comando Local de Greve conseguiram estabelecer contato com o ministro, já do lado de fora do prédio, em meio à movimentação intensa, barulho e presença de público. Em um tempo reduzido e em condições pouco favoráveis ao diálogo — o que inclusive comprometeu a qualidade dos registros do momento —, foi possível apresentar uma demanda central: a necessidade de maior protagonismo do Ministério da Educação nas pautas dos técnicos administrativos em educação.

Na interlocução, o ministro afirmou que o ministério já exerce esse papel. Os representantes, por sua vez, ponderaram que, na prática, tem sido o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) o principal interlocutor nas negociações, e que a categoria sente falta de uma atuação mais direta e presente do MEC junto às suas demandas.

A programação seguiu dentro do espaço institucional, enquanto, do lado de fora, os servidores permaneciam, sem que suas pautas fossem incorporadas à cobertura da visita.

Ao longo dos três dias, o Comando Local de Greve esteve presente em todos os espaços possíveis — em atos, em reuniões e nas agendas institucionais. Em uma greve que exige, além da mobilização, um esforço permanente de comunicação com a sociedade, essas ações também têm cumprido o papel de tornar visível o que, no cotidiano da universidade, muitas vezes permanece invisível.

(fotos a seguir com audiodescrição) 

Palco de auditório com um grande cartaz ao fundo com a logo do centenário da UFV. No centro dele, uma mesa decorada com toalha branca. Em frente à mesa, a deputada Duda Salabert: mulher, alta, cabelos longos castanhos e ondulados, óculos corretivos, calça preta e camisa branca.
Duda manifestou seu apoio na apresentação
Faixa com logo da Asav ficada num gramado, ao lado do logo do centenário da UFV (número 100 com desenhos de prédios dentro). Ao fundo, edifício Arthur Bernardes.
Manifestação silenciosa no ano do centenário

 

 

 

 

 

 

 

Dezenas de pessoas de diferentes idades, gêneros e raças posam para a foto, uns de pé e outros agachados. Todos seguram faixas, cartazes e instrumentos de percussão. Eles estão em um gramado em frente a um prédio de dois andares com telhado ondulado, sob uma árvore.
Manifestação pacífica deu mais visibilidade à greve e às reivindicações dos TAEs.
Aglomerado de pessoas, várias com sombrinhas abertas, inclinadas na direção de um mesmo ponto como se tentassem ouvir algo. O tempo está chuvoso.
Informes foram dados aos servidores em vigília imediatamente após a reunião com o reitor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Público em pé perto de um prédio bege. Em destaque, 4 homens altos, magros, de meia-idade. Um deles, de camisa branca com a logo da Asav fala enquanto aponta para um documento que está nas mãos de um homem à sua esquerda, que o lê com atenção.
Representante da Asav entrega documento ao ministro e explica as reivindicações
Faixa com a logo da Asav instalada em gramado em frente à casa onde funciona a reitoria da UFV. Algumas pessoas estão de pé pelo local, e outra s estão de pé na varanda da reitoria. O tempo está nublado.
Grevistas em vigília aguardam início da reunião com o reitor

 

 

 

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