Há algum tempo, vivemos uma época de quase exceção. Um período em que a democracia se contraiu, em que os presidentes golpistas foram avessos à escuta e ao diálogo. Foi um momento de imposição de suas vontades. Entretanto, com a eleição de Lula e o retorno da normalidade democrática, pudemos, novamente, reivindicar melhores condições de trabalho e melhores salários para a categoria mais desprivilegiada do serviço público federal, embora o presidente eleito exalte o tempo todo a importância da educação.
Não é nenhum favor do governo Lula agir com respeito à democracia e aos cidadãos, aos servidores públicos. Não é favor estabelecer diálogo com as categorias. Isso é parte do que se espera minimamente de um governo democrático. Temer e Bolsonaro são escória, projetos de ditador. Não é obrigação do sindicato a manutenção da normalidade, é obrigação da sociedade como um todo. Também não é culpa dos sindicatos se, por um golpe, ou pelo voto manipulado da maioria, déspotas chegam ao poder e bagunçam com a vida da população e jogam o país no caos.
A democracia é uma responsabilidade da sociedade.
O congresso tem culpa em grande parte do que acontece com o país, são eles que criam as normas, no entanto, quanto ao PL 6170/2025 e o acordo de greve referente à nossa categoria, a culpa é toda do governo. O governo restringiu tudo o que poderia. Retrocedeu na questão das 30 horas, dificultou o RSC ao máximo, empurrou partes da reforma administrativa nos servidores recuou pouco e apresentou como se fosse um ganho para a classe. Não foram os deputados, dessa vez foi o governo.
O que se espera de um governo do campo da esquerda, que tem um presidente ex sindicalista e trabalhador é maior compreensão da classe trabalhadora. Não há que se ter medo do retorno da direita. Não é nossa responsabilidade sozinhos. Se o governo quer permanecer no poder, que faça sua parte. São os trabalhadores da educação que têm que fazer o sacrifício, ser mais compreensivos com quem não tem a adequada consideração conosco. Ninguém tem que eleger ninguém! Isso não é uma troca, voto é consciência política, é pensar na sociedade. O voto em um presidente não pode ser corporativista. A consciência é de cada pessoa.
O governo deveria avançar no atendimento de reivindicações que já constam mais de 30 anos na pauta, mas prefere ser conservador e seguir o gerencialismo neoliberal burguês implantado no estado brasileiro como forma de alavancar a exploração do trabalho no serviço público, numa tentativa de se igualar ao setor privado que escraviza os trabalhadores CLT, informais, etc.
Não devemos favores ao governo. Lutamos muito para garantir o retorno à democracia que estava cambaleante. Sou contra o PL votado e não acho que devemos passar pano para os equívocos do governo. Que eles arquem com as consequências de uma greve em ano eleitoral. A Fasubra não deve servir de braço ou muleta de nenhum governo, sua função é representar a base e agir conforme orientação da mesma.
(por Mahyhaly Dias Santos)
(foto de capa com audiodescrição)